Foto: Fábio Del Ré
Gelson Radaelli
“A arte é um tipo de produção ou posicionamento que não provoca apenas coisas boas, mas também te provoca o estranho, relação de proporcionar a letargia, tirar o prazer absoluto. A arte é um caminho de reflexão.” — Gelson Radaelli
Um dos nomes mais expressivos das artes visuais do Rio Grande do Sul, ao longo de sua trajetória Gelson Radaelli desenvolveu uma produção intensa que transitou com fluidez entre a pintura de grande escala, o desenho, a ilustração e o restauro, participando ativamente do circuito cultural através de mostras individuais e coletivas em importantes galerias e instituições de arte do Brasil.
Foi agraciado com o Prêmio Açorianos de Destaque em Pintura: Gelson Radaelli - Exposição Tormenta - Galeria Iberê Camargo e com o Prêmio Açorianos de Melhor Exposição Coletiva: Eduardo Haesbaert, Fabio Zimbres e Gelson Radaelli – Exposição A Casa do Desenho, Museu do Trabalho.
Graduou-se em Comunicação Social em 1986 e participou de cursos com Karin Lambrecht, Michael Chapmam, Luis Baravelli e Armando Almeida. Por 3 anos, estudou pintura com Fernando Baril.
Radaelli integra a geração que despontou nos anos 1980, vinculando-se à vertente dos jovens artistas que protagonizaram o que se convencionou denominar por “retorno da pintura”, já não mais partindo da oposição anterior entre figuração e abstração, mas de um renovado interesse por uma pintura de linguagem e conceituação contemporânea, de tratamento gestual e forte apelo subjetivo, constituindo certo encaminhamento da tradição das correntes expressionistas.
A partir desta época, participou de dezenas de exposições, incluindo o MACRS e o MARGS. Também recebeu diversos prêmios nacionais. Integrava a Casa do Desenho, ao lado de Eduardo Haesbaert e Fábio Zimbres. Foi ainda editor de arte e ilustrador dos jornais “O Continente” e “Prá Ver”.
Seu estilo é marcado por um expressionismo vigoroso e de forte carga dramática, onde a figura humana frequentemente emerge diluída ou tensionada por pinceladas enérgicas, gestuais e carregadas de matéria. A pesquisa visual do artista priorizava o contraste cromático radical, o uso denso do preto e do grafite, e uma constante investigação sobre a angústia, o corpo e o movimento no espaço pictórico.
Manteve uma profunda conexão conceitual e técnica com a obra e o legado do pintor Iberê Camargo. Essa relação de afinidade estética com o expressionismo e a admiração mútua consolidaram-se em projetos e diálogos artísticos significativos, fazendo com que sua produção frequentemente dialogasse com a poética densa e as problemáticas visuais propostas por Iberê.
Paralelamente às artes plásticas, atuou como um importante catalisador da vida cultural e intelectual de Porto Alegre ao fundar o famoso restaurante Atelier de Massas. O espaço tornou-se um célebre ponto de encontro da boemia, da política e da classe artística gaúcha, unindo de forma indissociável a gastronomia italiana clássica à exposição permanente de suas próprias obras e de acervos de seus contemporâneos.
"Há quanto tempo, caro amigo. Estava com saudades." - Foto de Marco Andrei Kichalowsky